Pluri
Pluri é uma plataforma mobile voltada para vagas afirmativas e desenvolvimento de habilidades profissionais por meio de gamificação. O projeto surgiu a partir da necessidade de tornar o recrutamento mais inclusivo e transparente para pessoas que enfrentam barreiras estruturais no mercado de trabalho. Meu foco foi estruturar uma experiência capaz de reduzir fricções na busca por oportunidades, organizar identidades interseccionais de forma respeitosa e incentivar a evolução profissional contínua através do design centrado no usuário.
UX/UI Designer
Pesquisa UX
Arquitetura da Informação
Prototipagem Interativa
Design System
Gamificação
Figma
Spline (3D para Web)
Adobe Photoshop
8 semanas
Projeto acadêmico com abordagem de produto digital
Aplicativo Mobile
iOS & Android
Desafio
Usuários que buscam vagas afirmativas enfrentam dificuldades para encontrar oportunidades relevantes, compreender critérios de inclusão e receber feedback durante processos seletivos. Plataformas tradicionais utilizam filtros limitados, não consideram identidades interseccionais e frequentemente aumentam a ansiedade do usuário devido à falta de transparência. O desafio foi estruturar uma experiência digital que conectasse candidatos e empresas de forma mais humanizada, clara e acessível.
Resultado
O redesign da experiência focou na organização da informação e na criação de fluxos mais intuitivos, priorizando autonomia do usuário e clareza na jornada de candidatura. A introdução de um onboarding interseccional e de um sistema visual de compatibilidade com vagas reduziu a complexidade na tomada de decisão. A gamificação foi utilizada como estratégia de engajamento para incentivar desenvolvimento contínuo de habilidades e fortalecer a retenção dentro da plataforma.
Processo
Pesquisa & Insights
A pesquisa combinou desk research sobre iniciativas de vagas afirmativas e entrevistas qualitativas com usuários diversos para compreender barreiras reais enfrentadas durante a busca por emprego. A análise revelou que, embora políticas afirmativas busquem reduzir desigualdades estruturais, muitos candidatos ainda encontram dificuldades relacionadas à falta de clareza nas vagas, ausência de feedback e processos seletivos pouco inclusivos.
As entrevistas indicaram que a jornada de candidatura é frequentemente marcada por ansiedade, insegurança e sensação de exclusão, especialmente quando filtros automatizados não contemplam identidades diversas ou necessidades de acessibilidade. Outro insight relevante foi a dificuldade em localizar vagas afirmativas centralizadas e a percepção de que empresas ainda não oferecem transparência suficiente durante o processo.
Esses aprendizados direcionaram o projeto para uma experiência orientada por navegação direta, na qual o onboarding interseccional atua como base estrutural para a construção do perfil do usuário e para o funcionamento do sistema de matching. Em vez de criar uma camada isolada de introdução, o onboarding foi integrado à arquitetura principal do produto, alimentando áreas como perfil, competências e recomendações de vagas desde o primeiro acesso.
Arquitetura da Informação
A arquitetura do Pluri foi estruturada como um ecossistema bilateral mobile-first, conectando candidatos e empresas por meio de fluxos paralelos que compartilham lógica de navegação e estrutura de dados. Em vez de um dashboard central, o produto foi organizado a partir de uma navegação principal persistente, representada por um menu inferior que distribui a experiência em quatro áreas-chave para o candidato: vagas, perfil, competências e notificações.
No lado empresarial, a arquitetura segue a mesma lógica estrutural, iniciando pela configuração institucional e evoluindo para áreas como publicação de vagas, gestão de candidatos, acompanhamento do processo seletivo e indicadores de contratação. Essa organização foi definida com base nos relatos dos participantes das entrevistas, que apontaram frustração com sistemas complexos e pouco previsíveis. A hierarquia da informação foi desenhada para tornar a navegação direta e contextual, reduzindo carga cognitiva e permitindo que cada área funcione como um espaço autônomo dentro da jornada.
Wireframes e Protótipo
Os wireframes foram desenvolvidos com foco na estruturação da navegação principal e na organização progressiva das informações dentro de cada área funcional do produto. O onboarding interseccional foi projetado como parte integrante do fluxo inicial, alimentando diretamente o perfil do usuário e influenciando a personalização das vagas e das trilhas de competências, evitando a criação de etapas isoladas ou redundantes.
A priorização de fluxos curtos respondeu diretamente ao feedback dos participantes que relataram cansaço com processos extensos e pouco claros em plataformas tradicionais. Nos protótipos interativos, explorei diferentes formas de organizar o menu inferior de navegação como núcleo da experiência mobile, validando a clareza entre as áreas de vagas, perfil, competências e notificações. A prototipagem também permitiu testar a integração entre candidato e empresa dentro do mesmo ecossistema, avaliando como o sistema de matching e os feedbacks de candidatura poderiam reduzir a sensação de incerteza relatada nas entrevistas.
Design System
O design system foi desenvolvido como uma camada estratégica para sustentar a arquitetura orientada por navegação direta, garantindo consistência visual e acessibilidade em diferentes áreas do produto. A paleta de cores e a tipografia foram definidas considerando contraste e legibilidade para públicos diversos, incluindo pessoas com deficiência, alinhando o sistema visual às necessidades identificadas durante a pesquisa.
Além de padronizar componentes, o design system foi pensado para apoiar a expansão do ecossistema bilateral, contemplando tanto fluxos do candidato quanto interfaces empresariais. Componentes como cards de vagas, indicadores de progresso e estados de feedback foram estruturados para funcionar de forma consistente em diferentes contextos da navegação, reforçando previsibilidade e continuidade na experiência.
Conclusão
O desenvolvimento do Pluri evidenciou que inclusão não é uma funcionalidade isolada, mas uma decisão estrutural que atravessa toda a arquitetura da experiência. A reorganização da navegação em áreas contextuais (vagas, perfil, competências e notificações) permitiu transformar a jornada em um fluxo mais direto e previsível, reduzindo a sobrecarga cognitiva relatada pelos participantes das entrevistas e fortalecendo a autonomia do usuário ao longo do processo.
Ao estruturar o produto como um ecossistema bilateral, o projeto buscou equilibrar as necessidades de candidatos e empresas dentro de uma mesma lógica arquitetural, conectando onboarding, matching e gestão de processos seletivos sem depender de um hub central. Essa abordagem reforçou meu papel como designer orientada por estratégia, onde decisões de estrutura e navegação são tomadas a partir de comportamento real e não apenas de padrões visuais.
O principal aprendizado foi compreender que produtos digitais voltados à diversidade exigem coerência entre arquitetura e propósito. A inclusão precisa estar presente na forma como a informação se organiza, como a navegação acontece e como cada decisão de design sustenta diferentes identidades ao longo do tempo. Nesse contexto, o design deixa de atuar apenas como interface e passa a funcionar como infraestrutura de experiência dentro de um sistema mais amplo.





